Fernando Pessoa - poemas
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Fernando Pessoa
 Como uma voz de fonte que cessasse

 
Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos vãos olhares
Se admiraram), p'ra além dos meus palmares
De sonho, a voz que do meu tédio nasce

Parou... Apareceu já sem disfarce
De música longínqua, asas nos ares,
O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma pasce...

A paisagem longínqua só existe
Para haver nela um silêncio em descida
P'ra o mistério, silêncio a que a hora assiste...

E, perto ou longe, grande lago mudo,
O mundo, o informe mundo onde há a vida...
E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo...


  • Assim, sem nada feito e o por fazer, Cancioneiro 
  • As tuas mãos terminam em segredo, Cancioneiro 
  • Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, Alberto Caeiro 
  • Às vezes entre a tormenta, Cancioneiro 
  • Às vezes tenho idéias felizes, Álvaro de Campos
  • Atrás não torna, nem, como Orfeu, volve, Ricardo Reis
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