Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao
mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quise'ssemos, trocar beijos e abrac,os e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio
e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagãos inocentes
da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que
crianças.
E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim
- à beira-rio,
Pagã triste e
com flores no regaço.
Vendaval,-
Poesias Inéditas
Venho
de longe e trago no perfil,
Cancioneiro
Venho
dos lados de Beja. , Álvaro de Campos
Vento
que passas, Poesias Inéditas
Verdadeiramente,
Poesias Inéditas
Verdade,
mentira, certeza, incerteza ..., Alberto Caeiro
Véspera
de viagem, campainha , Álvaro de Campos
Viajar!
Perder países!,
Cancioneiro
Vibra,
clarim, cuja voz diz,
Quinto Império
Vibra
do cio subtil da luz,
Poemas Traduzidos
Vilegiatura,
Álvaro de Campos
Vinha
elegante, depressa,
Poesias Inéditas
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